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domingo, junho 07, 2009

Fim de jogo

A idéia inicial era postar um texto explicando meus motivos para dar tchau. Aliado à outros fatores, perdi o tesão por futebol, por tudo o que envolve futebol, por querer viver e respirar futebol. Porque eu não quero ser culpado de nada. E não tenho como, hoje, lutar por mudanças.

Ao querer seguir o jornalismo esportivo, tinha como meta realizar um trabalho que estimulasse o torcedor a ir para o estádio, acompanhar o seu time, se divertir, rir e chorar, tirar um sarro do amigo e também ser zoado. Esporte é isso, ao menos foi o que aprendi quando jogava basquete. Era, junto com outros colegas, tentar apresentar os problemas e ajudar a encontrar propostas que pudessem fazer do esporte, e do futebol em específico, um grande lazer para um povo sempre visto como "apaixonado por futebol".

Mas, para isso ocorrer, existem várias ramificações que não estão ligadas e nem querem se unir. Temos um governo omisso no que diz respeito à educação e desenvolvimento social, além de sua justiça impune, uma Confederação Brasileira de Futebol, que ao meu ver deveria trabalhar para o desenvolvimento do esporte no país, mas que através do seu presidente diz que a morte de um torcedor não é problema dele, já que não foi dentro do estádio; que se preocupa mais com os milhões que sua seleção proporciona e com os zilhões que certamente 2014 vai lhe proporcionar, ou alguém acha que tudo o que está acontecendo é para mostrar que o país do futebol é o pais da copa?

Além dos governantes, existem os governados. Que mídia é essa que por várias e várias vezes já noticiou casos semelhantes ao que ocorreu na última quarta, que grita por melhorias em vários aspectos para que isso não ocorra, mas que não ouve os ecos deste grito e parece se preocupar em gritar novamente apenas quando a história se repete?

E que nação é essa, que elege quem elege e dá plenos poderes para que eles possam fazer o que bem entenderem, porque o legal é levar um cartaz para o estádio pedindo pro Galvão filmá-lo, que aceita sair do estádio meia noite durante a semana, chegar em casa tarde para ir trabalhar cedo no outro dia? Que festeja o fato da sua cidade ser escolhida como uma sede para daqui cinco anos, mas que não parou pra pensar que ele mesmo pouco vai aproveitar disso. Parem o futebol, a culpa é de todos nós, da ignorância dos ignorantes e dos ignorados.
Para quem não ia falar nada, escrevi demais. Não digo nunca, mas, por enquanto, tenho outras preocupações que não o futebol e o esporte vai ficar para mais tarde. Para encerrar, segue um texto do Torero, publicado em seu blog dia 04 de junho.


"As bestas
José Roberto Torero

O futebol é uma coisa sem importância. É só um esporte. Uma coisa para se ver enquanto não estamos fazendo alguma coisa realmente importante. Uma coisa para descansarmos das coisas importantes.

Ontem, no confronto entre torcedores corintianos e vascaínos, morreu um homem. Morreu um homem por causa de futebol. Morreu por nada.

Morreu porque acha que seu time é melhor, porque não aceita que outros torçam para outros times, porque outros não aceitam que se torça para outros times.

Depois, incendiaram um ônibus. E, antes, no domingo, duzentos santistas imbecis foram atrás de cinquenta corintianos num estacionamento.

Quem acha que seu time é a coisa mais importante do mundo é uma besta. Muitos torcedores organizados, que têm em seu time sua única fonte de felicidade, são umas bestas. Mesmo torcedores que não são de nenhuma organizada, mas que têm no futebol o principal assunto de sua vida, são umas bestas.

Quem vive, morre ou mata por futebol, é uma besta. Não é um pobre-coitado-que-tem-o-futebol-como-sua-única-válvula-de-escape. É simplesmente uma besta.

A questão não é se se deve acabar ou não com as torcidas organizadas. A questão é que não se pode levar o futebol tão a sério. Ele não é tão sério. É um esporte, um negócio, só isso.

Os verdadeiros assuntos são amor, morte e poder. O resto é menor. O futebol é menor. Se alguém coloca este esporte acima de sua família, de seus amigos, de sua gente, da vida, é uma besta."

Ao menos por um tempo, o blog fica como está. Um forte abraço e sucesso para todo mundo.

sexta-feira, maio 08, 2009

Prognósticos

Vai começar o maior campeonato nacional de futebol do planeta! Sim, isso mesmo, o Brasileirão está logo aí, e não me venham falar que os torneios disputados da Europa é que estão no topo de qualquer lista. Estão na de marketing, mídia e dinheiro, mas o assunto aqui é futebol e, neste aspecto, não há quem supere o nosso torneio. Na Itália, a Inter vai levar mais um; Inglaterra é praticamente do Manchester e o Espanhol este ano é Barcelona mas, quando o título não vai para eles, vai para o Real Madrid, salvo raríssimas exceções.

Aqui, mesmo com os últimos três canecos indo para o São Paulo, a disputa é muito maior e, algo me diz que este ano a taça muda de endereço e com grandes chances de ir para outro estado também.

Pelo que foi apresentado até o momento, Cruzeiro e Internacional de Porto Alegre são, para mim, os favoritos ao primeiro lugar no campeonato. Pelo grupo de cada um e pelo que cada um fez até agora, pode-se dizer que são os que possuem grandes chances. Depois aparecem Grêmio, Flamengo, Corinthians, Palmeiras e São Paulo. Sem ordem de chances, pois três são clubes que estão com um bom time, mas que, em alguns momentos, ficam mal das pernas e podem perdem um bom tempo até consertar isto.

O Grêmio está com um grupo forte, invicto na Libertadores, mas no Gauchão tomou um vareio do Inter. O Flamengo levou mais um carioca, mas tem em Adriano (e apenas nele) a grande chance de gols. Assim como o Corinthians, campeão paulista, perdeu apenas um jogo no ano, mas para se firmar de vez entre os favoritos, precisa se mostrar menos do trio Ronaldo, Chicão e André Santos. Parece que, quando esses vão mal, o time não vai para a frente.

O Palmeiras tem um time bastante forte também mas (tem sempre um mas nos times treinados pelo Luxemburgo) tudo pode mudar se por acaso, no meio do ano, Cleiton Xavier e Keirrison forem embora. Já o São Paulo desses é aquele que, até o momento, não apresentou nada de espetacular. Mas, há um ano atrás era assim também e, o final todo mundo sabe. Então, não custa mantê-lo aí neste grupo.

Surpresa em termos de título, mas não em vaga para a Libertadores, estão equipes como a do Santos, do Sport e do Vitória.

Agora, tudo não passa de opinião sobre um campeonato que ainda não começou e que muda muito do seu início até o fim. Resta aguardar dezembro e ver o que coelho sai desta cartola.

quarta-feira, junho 25, 2008

A volta do "professô"

As Olímpiadas começam dia 08 de agosto, e a seleção brasileira estará lá em busca da tão sonhada medalha, a única que falta para o futebol pentacampeão! É este o foco da imprensa sobre a equipe de Dunga? Não, o assunto do momento é o próprio técnico Dunga e os prováveis substitutos que podem assumir o comando para a continuação das eliminatórias, em setembro.

E porque vamos nos preocupar com o futebol brasileiro em Pequim, se até mesmo a CBF não está nem aí pra Olimpíadas. Isto é fato. Se estivessem, não começariam a preparar a equipe faltando pouco mais de um mês para a competição. Acontece que seleção olímpica não dá dinheiro com amistoso, então, manteve a seleção "principal" (??) atuando nos últimos jogos amistosos e eliminatórias. Pode até ser que o ouro venha, o que eu acho difícil, mas será muito mais por esforço dos atletas do que por o bom futebol apresentado por um EQUIPE. Quem sabe em 2016, quem sabe no Rio de Janeiro, quem sabe sem Ricardo Teixeira. Quem sabe?

Quanto ao próximo treinador, conhecidos apostam em Zico, Muricy Ramalho, Paulo Autuori e Wanderley Luxemburgo. Esqueçam o Zico. O Galinho já deu declarações que, enquanto Ricardo Teixeira estiver no comando, não trabalhará mais pelo Brasil. Muricy pode até ser, mas o São Paulo voltou a apresentar um bom futebol, ele tem o respaldo do presidente e não gosta muito de quebrar contratos, algo que Autuori também não é muito fã. Tudo bem que para trabalhar para a Seleção Brasileira é diferente, mas ali ocorre alguns mandos e desmandos que esses dois são capazes de levar em consideração para negar o cargo agora.

Agora, o Luxa eu acredito que saiu muito mais por conta das turbulências que sua vida pessoal atravessava na época do que o fracasso de Sidney. Como eu disse, a CBF não se importa com as Olimpíadas. Fosse assim, Zagallo também teria caído, em 1996.

O momento de Luxemburgo hoje é diferente do que ele vivia em 2000. É um treinador que de lá para cá deu a volta por cima, ganhou dois Brasileiros, uma Copa do Brasil e quatro Paulistas, sempre deixou claro que tem como meta retornar ao comando da seleção e - até agora - está com sua vida pessoal tranquila.

Algum outro? Sinceramente não vejo nomes além destes e do Felipão que mereceriam o cargo. Como Scolari acabou de se mudar para a terra dos Beatles, é impossível assumir o Brasil agora. Por isso acho que o Luxa leva essa.

Irmãs de sangue

O texto abaixo é antigo, já tem quase um ano, mas é sempre válido quando tratamos de torcidas organizadas. Como Manfré e eu fizemos um estudo sobre jornalismo que envolveu torcidas organizadas, achamos pertinentes colocarmos esta coluna do Paulo Vinícius Coelho que foi divulgada no Diário Lance! do dia 23 de agosto de 2007.

Irmãs de sangue

Paulo Vinícius Coelho

"Como por encanto, as cenas de violência voltaram às arquibancadas. Reapareceram do lado de fora de São Januário, na briga entre Força Jovem e Ira, no domingo passsado. A Ira é dissidência da Força Jovem, maior e mais tradicional facção cruzmaltina.

A briga escancara que cada idiota vestido com os símbolos da Força ou da Ira torce mais por sua uniformizada do que pelo Vasco.

O mesmo vale para a discussão entre Torrcida Jovem e Raça Rubro-Negra. As duas saíram na porrada na arquibancada do Parque Antárctica, também no domingo passado. A Jovem é torcida-irmã da Independente, do São Paulo, e os torcedores das duas facções costumam entoar juntos o canto segundo o qual formam uma "união sinistra que incomoda muita gente". Já a Raça é amiga da Gaviões da Fiel. Significa que, quando a Policia Militar separa rubro-negros de palmeirenses, no Palestra Itália, pode abrigar do mesmo lado da grade corintianos e são-paulinos. Corintianos da Gaviões, aliados à Raça Rubro-Negra, dispararam pancadas em são-paulinos da Independente, auxiliados pela Torcida Jovem do Flamengo.

A sensação de impunidade, razão fundamental da violência, poderia ter diminuído com as prisões recentes. Em fevereiro, os torcedores Alessandro Almeida Borges Pereira e Edmílson José da Silva foram condenados a 14 anos de prisão, em São Paulo. Em julho, Jéferson Melchíades Vieira foi condenado a 15 anos, no Rio.

Por outro lado, os uniformizados podem se sentir protegidos. Em São Paulo, a Polícia Militar estabeleceu lugares específicos para os torcedores uniformizados cadastrados. Ficam atrás dos gols do Morumbi, do Parque Antarctica e do Pacaembu, separados por grades. A idéia do cadastramento é tão boa que menos de 30% dos uniformizados resolveu aceitá-Ia. A idéia da separação é tão ruim que espreme o torcedor comum e protege o uniformizado. Os poucos cadastrados colocam-se em seus lugares, próximos à grade que os separa da torcida comum. Levam faixas e instrumenntos musicais para o local destinado para sua facção. Os não cadastrados misturam-se com os torcedores comuns, mas ficam grudados à grade para dar a idéia de que sua facção segue tão grande quanto antes.

Grande para dar medo na torcida inimiga .. Sim, porque cada facção tem sua inimiga eleita. A Jovem do Flamengo é irmã da Independente Tricolor, a Raça Rubro-Negra alia-se à Gaviões e ambas são inimigas mortais da Mancha Alvi-Verde. É o que diz a voz sinistra que atende ao telefone na sede da Raça. Se existe relação de amizade, simpatia, antipatia ou inimizade com a torcida do Palmeiras? "Com eles, é morte'..... Morte ao futebol."

sexta-feira, maio 16, 2008

E O DINHEIRO DO PERNIL?

A diretoria do Palmeiras disse que, com a grande procura do público nas finais do Paulistão pelos ingressos no valor de R$40,00, foi possível perceber que a torcida palestrina têm poder aquisitivo para adquirir as entradas neste valor. Por conta disto, aumentou o preço das arquibancadas durante o Brasileirão para o mesmo que foi cobrado na final contra a Ponte Preta. Segundo informações do diário Lance! de ontem, a diretoria do Verdão tenta assim “elitizar” o público que freqüenta o Parque Antarctica e acredita que o aumento é uma tendência natural no futebol nacional.


Não é bem o que parece. Entre os demais clubes paulistas, o Palmeiras é o que hoje possui o valor mais alto para entradas. Nas arquibancadas, o são-paulino que acompanhar no tricolor no Brasileirão desembolsará R$20,00 por jogo. Na Libertadores, o ingresso custa R$30,00. O Corinthians cobrou R$20,00 na partida de estréia pela série B, mas o presidente Andrés Sanchez declarou que este valor vai ser reduzido para R$15,00 e que a promoção de arquibancada a R$10,00 na Copa do Brasil continuará até o final da participação da equipe no torneio. Já o Santos tem um valor único, independente do campeonato disputado, R$30,00.


Vejo tudo isto com um ponto negativo para a diretoria palmeirense. Quantos torcedores deixarão de acompanhar o Verdão por conta disto? Não é fácil, na economia que vivemos, desembolsar R$40,00 por jogo (isto se for sozinho) para permanecer em uma arquibancada descoberta, passível de sol forte ou chuva intensa, sem banheiros adequados para uso e todos os demais problemas que sofre um torcedor pra acompanhar seu clube do coração? Sem falar no gasto com bebida, alimentação, transporte.


Já que o interesse é “elitizar”, seguir os padrões europeus e deixar de fora o palmeirense com menor condição financeira, porque a diretoria não se profissionaliza de vez e, ao invés desta exploração para um simples jogo de futebol, não trabalha com a venda de carnês para todo o campeonato brasileiro? Ou então, por que não dá ao torcedor motivos para que valha a pena pagar este valor para ir ao Palestra, tornando o ato de sair de casa para um jogo de futebol um programa sem preocupação e tensão?

quinta-feira, março 13, 2008

Negócio paraguaio com os russos

Situação inusitada passa o jogador Rodrigo Souto. Depois de especulações, a diretoria do Santos, clube que o atleta defendeu até o último domingo, anunciou um dia depois que o atleta havia sido negociado com o Lokomotiv, da Rússia, por 6 milhões de euros.


Eis que, dois dias depois do anúncio, o clube russo divulga que não quer mais levar o atleta para a terra da vodka, pois já havia contratado outro jogador para sua posição. Souto já havia entregado o apartamento onde morava no litoral paulista e já tinha passagem comprada para a Europa.


Em entrevista à Rádio Globo o advogado Marcos Motta, especializado em direito esportivo, informou que está cuidando do caso para o jogador e que primeiramente pedirá uma justificativa formal do Lokomotiv para o não cumprimento do que foi acordado e que o clube deverá pagar as despesas geradas com este ocorrido. Depois disso, o atleta poderá entrar com uma ação junto à Corte da Fifa para punir os russos.


Com relação ao contrato entre Rodrigo Souto e Santos, Motta acha viável entrar em contato com o clube do litoral paulista para ver como ficará, já que, segundo ele, tecnicamente, o atleta ainda está vinculado ao Santos pelo Boletim Informativo Diário (BID) da CBF.

Valeu a pena?

No meio futebolístico, existem atletas que são contratados pelos clubes para compor elenco, para chegar e resolver e também os jogadores considerados como aposta, aqueles que têm condições de tornarem-se destaques.


Quando anunciou que não gostaria de permanecer em Curitiba, o lateral-direito entrou em litígio com o Atlético-PR e conseguiu na justiça uma liminar para se desvincular do time paranaense e logo em seguida surgiram boatos de que o Corinthians estaria interessado em seu futebol. Quando o lateral saiu da capital modelo, o Santos também entrou na disputa, mas quem levou foi o São Paulo, assinando contrato de três anos de duração.


Agora, como qualificar um jogador que não atuou bem quando passou pelo Fluminense, nunca foi destaque no Furacão e, desde que virou notícia pelo interesse dos paulistas, sempre deixou claro que procura apenas uma vitrine para ir para a Europa. Seu empresário, Paulo Roberto Theobaldi, até deixou claro que ele preferiu o São Paulo porque o tricolor tem uma exposição internacional maior que o Corinthians disputando a Libertadores, contra a Copa do Brasil que o alvinegro participa.


Vai compor elenco? Até receber uma oferta de um time qualquer do velho continente?


Chega para resolver?


Vai ser um destaque?


Façam suas apostas.

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

A Força do Conjunto

A Copa de 2006 seria a consagração do futebol arte, a Inglaterra vinha com um time extremamente talentoso, dispunha de jogadores qualificados em todos os setores. O Brasil então nem se fala, vinha com uma equipe repleta de estrelas, era só colocar em campo que não poderia haver erro, nem precisaria treinar, pelo menos deve ter sido o que pensou Carlos Alberto Parreira, técnico da seleção na época, pois cada treinamento canarinho era um show de pura exibição, uma festa só.

Mas quando a bola rolou para valer a coisa mudou de figura, times até então considerados limitados como Itália e Alemanha começaram a mostrar a força do conjunto e da determinação, enquanto Inglaterra e principalmente o Brasil, se apresentavam como um amontoado de craques, sem nenhuma identificação com o país que representavam e sem esquema tático e jogadas bem treinadas.

Ao final, a Alemanha fez uma copa inesquecível, terminando na terceira colocação sendo muito festejada pelo seu povo e a Itália se sagrou tetracampeã. Brasil e Inglaterra acabariam nas modestas quinta e sétimas posições, respectivamente.

Nesse final de semana tivemos o término da Copa das Nações Africanas. O torneio ganhou muito prestígio em suas últimas edições devido ao grande número de jogadores africanos atuando nos principais torneios do mundo. Os times de Gana, Camarões e Costa do Marfim entraram como favoritos. Jogadores como Samuel Eto`o, Essien, Drogba eram algumas das estrelas que compunham essas seleções.

Porém assim como na Copa de 2006, a campeão foi uma equipe que teve como maior arma o conjunto, uma seleção muito bem montada taticamente. O Egito apresentou uma equipe com apenas dois jogadores atuando fora do país, mas com um entrosamento de fazer inveja a muitos clubes, com jogadas ensaiadas e proposta de jogo bem definida, jogando um futebol de qualidade, digno de um campeão do futebol moderno.

Não acho que isso provou a perda de importância dos craques e que jogadores como Cristiano Ronaldo, Ronaldinho, Henry, Drogba não possam desequilibrar e ganhar uma partida. Só que eles precisam estar respaldados por um time bem entrosado para serem os jogadores diferenciados que costumamos ver nos clubes.
(MM)

sábado, fevereiro 02, 2008

Entrevista: Izidoro Lopreto Filho

Conforme anunciado no post anterior, damos início aqui a série de entrevistas com jornalistas e membros de torcidas organizadas para falarmos a respeito do papel da imprensa na violência do futebol. Um dos nossos entrevistados foi Izidoro Lopreto Filho, então diretor da torcida Mancha Alvi-Verde, do Palmeiras. A conversa com Marcelo Manfré ocorreu no dia 28 de junho do ano passado.


Marcelo Manfré: A violência do futebol, como que a mídia aborda isso?
Izidoro Lopreto Filho: A mídia ela aborda do jeito que ela acha mais conveniente, do jeito que ela acha que ela vai conseguir bons números de pontos no ibope e maior número de vendagens de jornal e revistas, então ela é muito sensacionalista, tá? Então ela, isso como tem um jogo entre Palmeiras e Corinthians, por exemplo, e não há um ato de violência, não há nenhum caso grave de violência nem ocorrência nenhuma, isso daí pra eles é uma frustração muito grande, porque o que dá audiência é exatamente a violência, então eles abordam o máximo possível porque é o que vende.

Como você acha que seria um jeito melhor de tratar esse assunto? Você vê algum ponto, alguma forma que ela trataria melhor, algumas coisas que ela poderia deixar de fazer e outras coisas que ela poderia fazer para ela influenciar de uma forma mais positiva?
Não, não. Eu acho que a imprensa, toda a mídia, às vezes os próprios jogadores de futebol ele que promove a violência, ta? Às vezes a gente pode até fazer o jogo, assim, de paz, sem problema nenhum e um jogador incita outro jogador ou um jogador vai lá na hora que marca um gol vai comemorar o gol na torcida adversária.

(Interrompendo): Nesse caso, o Showball, por exemplo?
Exatamente. Isso aí são tudo coisas que eles incentivam à violência. E a mídia também. Às vezes ela faz determinado tipo de colocação ou algumas manchetes de jornais que tenta provocar uma torcida à outra.

Se o jogador briga, ou provoca em campo, isso chega a torcida?
Com certeza, não há dúvida nenhuma. Eu nunca me esqueço do jogo Palmeiras e São Paulo, que era o jogo da paz e saiu uma briga dentro do campo, e aquela paz que estava no início do jogo, virou campo de guerra. Então, saiu de dentro pra fora. Geralmente as brigas que acontecem dentro do estádio de futebol ou ao redor é de dentro pra fora, aí criam essas rivalidades.

Você lembra de alguma vez que essa briga aconteceu porque a mídia forçou algo entre jogadores ou entre as torcidas?
Não, isso não. Isso daí, que eu tenha conhecimento, não. Seria muito leviano se eu fizesse uma afirmação dessa. Isso eu não me recordo de ter feito isso. Não, assim, o torcedor de torcida organizada, o próprio torcedor comum de futebol, às vezes ele é uma pessoa. Às vezes não, normalmente, ele é uma pessoa que não é bandido, que não é marginal. O torcedor de futebol, ele é apenas ele, ele é um apaixonado pelo seu clube, e muitas vezes, essa pessoa que é apaixonada pelo seu clube, ele trabalha, estuda, tem uma família, tem uma vida normal. Só que quando ele põe a camisa do seu clube, e se junta a três ou quatro, ele se transforma. Agora, isso tudo, a gente resume na palavra paixão. Quando envolve paixão, tudo é possível, haja vista quando você vê aí alguns crimes que acontecem passionais, crime de pessoas que matam a mulher, ou que mulher mata o homem. Quê isso? É paixão. Tá, então, dá aquele branco, a pessoa fica cega, e às vezes ele comete atitudes impensadas, mas tudo movido pela paixão.

Então, vamos supor: se a mídia tomasse uma postura de evitar nos clássicos de fazer esse negócio de colocar um contra o outro. De repente, analisar o clássico como uma disputa, sem falar que o jogador falou isso de um time, falar que o jogador provocou o adversário, ela ajudaria a diminuir?
Dentro de cada, de determinadas situações, mas é, é aquilo que eu te falei, logo no início, pra mídia isso não é interessante. Porque eles querem audiência, eles querem vender, mas, eles querem vendagem. Então, como tava falando, você se lembra de antigamente? Apostas de jogadores. Eles até promoviam apostas entre os jogadores. Isso aí foi proibido. Por quê? Porque já incentivava uma provável disputa, porque tudo vem de dentro pra fora, tudo, tudo, não adianta.

Você acha que o linguajar na hora que a mídia trata o jogo, como esse “jogo de vida ou morte”, “guerra”, isso é uma linguagem adequada, ou ele incendia...
... é pra tentar instigar ainda mais...

... pra criar um clima?
Lógico. Porque, o que que acontece? Eles vivem disso, eles vivem do futebol. Então, eles precisam fazer a divulgação que eles fazem, de graça teoricamente, eles vivem disso. É aquilo que eu te falei, o clássico sem violência, quer entre os jogadores, vamos supor, um jogo sem nenhuma ocorrência é mais um jogo, tá? Aí vamos supor, joga Corinthians e Palmeiras, no sábado, e não aconteça nada, se Deus quiser, tranqüilo e tal, um jogo 0 a 0. Aí joga Santos e XV de Piraporinha, lá em Santos. Quebra um pau desgraçado, o foco vai ser em cima do jogo do Santos.

Nota do Blog: Atualmente, Izidoro não faz mais parte do quadro de membros da torcida organizada Mancha Alvi-Verde. Sua saída se deu no final de 2007, por razões não divulgadas.

domingo, janeiro 27, 2008

Futebol e Violência



Em 2007, Marcelo Manfré e eu apresentamos um artigo e realizamos nosso trabalho de conclusão de curso fazendo uma análise de como a imprensa esportiva influencia na violência do futebol. Além da teoria (pouca, diga-se de passagem) sobre o assunto, conversamos com jornalistas e membros de duas torcidas organizadas de São Paulo.
Agora, já formados, resolvemos disponibilizar aqui as entrevistas realizadas para estes trabalhos. Estamos terminando de decupar uma delas e logo ela estará disponível no blog.

sexta-feira, janeiro 25, 2008

Pontapé Futebol Clube

Futebol moderno prega o resultado em detrimento ao futebol arte. Onde ficam os craques?

Leonardo Rosa e Marcelo Manfré*

No futebol da raça e pegada, não dá para saber de quem é a bela jogada na foto

O futebol é um esporte marcado por chavões. “Temos que respeitar o adversário”, dizem alguns. Outros filosofam que “futebol é uma caixinha de surpresas”, além da pérola “o jogo só acaba quando termina”. Agora, desde pequeno aprendemos que “o importante é competir”. Então, como fica esta velha máxima quando a competição envolve dinheiro e reconhecimento?

A história do futebol é marcada por jogadores que faziam verdadeiros malabarismos com a bola, chamados por alguns de pés de anjo. A jogada plástica, o lançamento preciso e os dribles desconcertantes são as características mais notórias para analisar um jogador. E se formos eleger os dez maiores nomes do futebol, provavelmente serão todos aqueles que buscam sempre ir à frente, sejam atacantes ou meios de campo, com grande habilidade desfrutada nos gramados.

Há algum tempo, era mais comum no futebol ver atletas com tais habilidades. Mesmo os grandes defensores, também chamados de beques nos tempos de Nelson Rodrigues, eram jogadores de classe que tinham como principais virtudes o tempo de bola e precisão para antever as jogadas adversárias. As jogadas mais duras, faltas desleais e jogos truncados aconteciam, mas em menor número perto do que temos hoje. A preocupação do jogador era sempre realizar uma jogada perfeita com beleza e precisão.

Entretanto, o futebol foi se transformando a cada dia mais profissional e competitivo. A força física e o condicionamento do atleta começaram a ganhar importância e os jogos passaram a ser cada vez mais disputados e faltosos. Jogadas violentas começaram a ser corriqueiras em partidas, e o drible, característica dos grandes craques do esporte, tornou-se sinônimo de ofensa. Se Garrincha, que dizia preferir dar um drible a fazer um gol, jogasse hoje, provavelmente seria visto como um grande provocador. Isso se já não tivesse sua carreira encerrada por contusão devido aos pontapés de um jogador qualquer.

Não é difícil citar casos de jogadores, que por terem muita habilidade, se contundiram seriamente na história recente do jogo. Tostão encerrou sua carreira aos 27 anos, em 1974, por problemas de visão, conseqüência de um descolamento na retina sofrido em 69 ao levar uma bolada do zagueiro Ditão, do Corinthians. Muitos atletas já passaram por isso. No final dos anos 80, Marco Van Basten, astro da seleção holandesa, precisou encerrar precocemente sua carreira por entradas violentas recebida de seus adversários. O Grêmio da década de noventa tinha em Dinho, que jogava como volante, um dos seus maiores ídolos. Ele era um exemplo notório da valorização do jogo truculento e muitas vezes desleal. Dinho ficou conhecido pelas entradas violentas que buscavam intimidar os atletas adversários.

As últimas Copas do Mundo têm mostrado um futebol de pouca qualidade ofensiva e mais poderio de marcação. Foi na Alemanha, durante a Copa de 2006, que o futebol pragmático baseado na marcação chegou ao seu auge. A Itália, seleção campeã, não tinha um craque. Seu camisa 10, Totti, é um ótimo jogador, porém longe de ser craque. A maior força do time era seu conjunto, que estava alicerçado em um esquema defensivo tendo como seu maior representante o volante Gatusso. Esta foi a Copa dos truculentos. mesmo Zidane sendo escolhido o melhor jogador da Copa, o melhor do ano foi pela primeira vez na história um zagueiro, Canavarro. Mais um sinal de que o futebol viril ganha cada vez mais espaço. Precisamos voltar a ver o futebol como arte. Os craques do passado serão sempre lembrados e idolatrados, mas queremos em nossos gramados seus herdeiros, e que seja uma grande prole.

* Marcelo Manfré é jornalista, torcedor do Dracena Futebol Clube e mais novo membro deste blog. Logo logo ele dará seus pitacos por aqui.

Pontapés nas arquibancadas


A crescente violência que o futebol sofreu dentro dos gramados, com jogadas violentas e brigas entre jogadores também se refletiu nas arquibancadas. Da década de noventa em diante se observou um crescimento acelerado do número de brigas entre torcidas e esses confrontos já produziram várias vitimas fatais.
Passou a ser comum ocorrer brigas entre torcedores e policiais ou torcedores contra torcedores, especialmente nos dias de clássicos, quando os ânimos estão mais exaltados. Até brigas entre adeptos do mesmo time ocorrem pelos motivos mais banais.
A questão é que o torcedor de futebol é um espectador na maioria das vezes tomado de uma paixão que, no estádio principalmente, se torna irracional. Atitudes que jogadores têm em campo influenciam no comportamento dos torcedores. A partir do momento que a força passou a ser uma virtude no futebol, a agressividade em campo aumentou e se refletiu na torcida.
A impetuosidade nas partidas se manifesta da maneira mais primitiva, protagonizando cenas de violência gratuita. Os adversários tornam-se inimigos mortais e o ódio pelo rival muitas vezes é maior que a paixão pelo próprio time. Isso tudo faz até com que pessoas que nunca brigaram e que não possuem antecedentes de violência, se deixem levar pelo momento e protagonizem brigas e quebra-quebra nos estádios e em seus redores.
Autoridades tentam reverter esse quadro com medidas de segurança como instalações de câmeras de vídeo, cadeiras numeradas e leis mais severas para os que participam de brigas. Todas essas medidas são válidas, mas se não houver uma mudança na mentalidade o problema não será resolvido. É necessário que o jogo volte a ser visto como um esporte, onde se disputa uma partida e não uma guerra.
Os jogadores têm que voltar a se respeitarem em campo e valorizar o jogo bem jogado, onde se inclui também marcação, mas sem jogadas desleais e violentas. Para os torcedores perceberem que os jogadores são adversários e não inimigos. E que as torcidas rivais disputem para ver quem apóia mais seu time, não para ver qual é a mais violenta ou que põe mais medo na outra. O mundo já está violento o suficiente, não é preciso cultivar mais esse tipo de violência em estádios que foram construídos para os apreciadores do bom futebol.
(LR e MM)